Você Tem que Jogar o Jogo
Nota de Bordo: Ganhar XP por acordar cedo, bônus por treinar e recompensa por focar é assim que se vive!
Eu ando falando muito sobre falta de administração.
De tempo.
De energia.
De dinheiro.
De colheres.
Mas, sendo honesto?
Porque, em algum ponto, isso deixa de ser explicação e começa a virar uma desculpa, um atalho.
Porque entender o problema, não resolve o problema.
Você sabe por que está cansado, porém continua cansado. Sabe o que deveria fazer, contudo continua não fazendo.
E no fim do dia, a sensação é sempre parecida: “Eu fiz coisas, mas parece que não fiz nada.”
Movimento nem sempre é progresso
Teve um dia essa semana que me pegou: Eu sentei pra fazer uma coisa simples.
Coisa de 20 minutos.
Quando percebi tinham se passado quase 40min. Eu não lembro exatamente o que vi.
Voltei para o dia já cansado. Abri outra coisa no meio.
Respondi mensagens.
Resolvi pequenas urgências.
E no fim do dia aquela sensação de peso. De novo pareceu que foi muito movimento e pouco avanço.
Isso acontece com você também?
O cansaço que não vem do esforço
Por muito tempo eu achei que isso era falta de disciplina. Que o problema era eu.
Falta de foco.
Falta de controle.
Falta de consistência.
Mas tem um tipo específico de cansaço que começou a incomodar mais.
Não é o cansaço de fazer. É o cansaço de não ver.
Você resolve coisas → dá check e elas somem.
Como se o dia fosse um quadro branco sendo apagado toda noite. E no dia seguinte, você começa de novo.
Sem evidência.
Sem progresso visível.
Sem um ponto claro dizendo: você saiu daqui e chegou até aqui.
A sensação de coisas em aberto
Tem uma diferença que eu demorei pra perceber:
Esforço cansa.
Coisa aberta drena.
Não é só o que você faz e sim que você não fecha, o que não resolve.
Quantas coisas você começou essa semana e não terminou?
Quantas decisões pequenas você deixou em aberto?
Quantas vezes você trocou de tarefa no meio porque apareceu algo “mais urgente”?
No papel, parece produtividade. Na prática é uma dispersão bem organizada.
E isso vai se acumulando. Uma aba aberta aqui. Outra ali. Uma conversa pendente. Uma tarefa pela metade.
Quando você vê sua cabeça virou um sistema cheio de “depois eu volto nisso”. E esse “depois” nunca chega.
Talvez não seja disciplina.
Foi aqui que a chave começou a virar pra mim. E se o problema não for disciplina? E se for ausência de evidência?
Vamos usar um Jogo como referência: Em um Vídeo Game tudo conta.
Você anda → conta
Você erra → conta
Você tenta → conta
Existe um registro; Existe um número; Existe progresso visível.
Na vida real?
Você faz dez coisas e ainda sente que está devendo.
Não porque fez pouco. Mas sim porque nada ficou registrado de um jeito que o seu cérebro reconheça como avanço.
Tem uma ideia meio boba que começou a fazer sentido, então eu resolvi ir em frente e testar uma coisa simples.
Gamificar a minha vida.
Não porque eu gosto de jogo. Nunca fui essa pessoa(eu tentei e sou uma negação)
Mas porque jogo tem uma coisa que a vida real não tem: Evidência constante.
Você não precisa adivinhar se está avançando.
Você vê.
Missões pequenas, progresso real.
A ideia não é mudar a sua rotina, as minhas tarefas continuam as mesmas. O que vai mudar é a forma de olhar pra elas.
Em vez de uma lista infinita de “coisas que eu deveria fazer”, vou ter:
Missões, que mesmo pequenas serão mensuráveis.
Se a sua rotina fosse um jogo hoje quais seriam as três missões que você está evitando?
Não as grandes. Não as que vão muda a sua vida, as pequenas como:
Beber água.
Responder alguém.
Estudar 15 minutos.
Organizar um canto desorganizado.
Coisas simples. Mas que, quando ignoradas criam aquela sensação de vida travada.
Não ignore as Side Quests
Todo mundo está sempre olhando pra Missão Principal:
“mudar de vida”
“ganhar mais”
“ficar saudável”
Mas quase ninguém respeita as Side Quests(as missões diárias). E são elas que dão XP!
Estudar 15 minutos é Side Quest.
Beber água ao acordar é Side Quest.
Guardar um pouco de dinheiro é Side Quest.
Parece pouco, porém é isso que se acumula.
O problema?
Isso não dá recompensa imediata, seu cérebro não vai joga a seu favor. O cérebro não foi feito pra priorizar o que demora.
Ele quer economia, quer retorno rápido, quer o caminho mais curto. E se não tem recompensa clara, ele vai empurra. Adia. Troca.
E você já sabe pelo quê:
Pelas coisas fáceis, rápidas que são altamente estimulantes. (E ok, vai assistir seu TikTok, vai scrollar seu instagram, mas saiba como esse “bug” funciona para ser usado ao seu favor.)
Um atalho de recompensa, que quanto mais você usa menos o básico compete. Tornar visível é o que muda o jogo
Então a lógica que eu estou testando é simples:
Se o cérebro precisa ver progresso, eu vou mostrar.
Na prática mesmo, vou escolher poucas coisas(3 a 5) vou dar um valor simples pra cada uma e ter um registro:
Um quadrado pintado.
Um número subindo.
E vou ter uma prova mínima de que o dia não foi vazio. Sem um sistema complexo, sem uma ferramenta perfeita(isso faz a gente enrolar mais ainda para começar)
Eu posso até querer que seja bonito, contudo se eu não abrir com frequência, não vai servir para o seu propósito.
Um Aviso!
Se tudo vira recompensa o processo morre.
Quando você só faz algo por um prêmio, você para quando o prêmio some.
Então a ideia não é viver de recompensa, é usar no começo. Até engatar, até que o próprio fazer comece a fazer sentido.
Quando foi a última vez que você fez algo pequeno e sentiu satisfação só por ter feito?
Sem prêmio.
Sem validação.
Sem ninguém vendo.
Só pelo fato de não ter deixado em aberto.
Terminar muda mais do que começar. Inclusive outra coisa que mudou o jogo pra mim foi que: Eu parei de tentar fazer mais e comecei a tentar terminar mais.
Menos tarefas → Mais fechamentos.
Menos “começar bem” → Mais “acabar direito”.
Porque terminar algo(mesmo pequeno) cria uma clareza que motivação nenhuma cria.
Você sabe onde está e sabe que não está no zero.
O risco invisível
Eu ainda não sei se esse sistema vai funcionar no longo prazo. Não sei se vou manter. Não sei se não vira outro tipo de cobrança. Mas eu sei de uma coisa:
O jeito que eu estava vivendo também era um sistema.
Só que invisível. E sistemas invisíveis são perigosos, porque você está sendo levado e sem perceber pra onde.
Então, por enquanto, eu prefiro isso:
Jogar mesmo que pareça simples demais, mesmo que não esteja perfeito. Ainda assim é melhor do que continuar vivendo com a sensação de que nada anda.
O problema não é que você está parado. O problema está no fato que tudo que você faz está desaparecendo rápido demais.
Você pode testar hoje(se isso fez sentido), testa por um dia.
Escolhe 3 coisas → Faz → Conta → e se de uma recompensa pequena.
E depois me conta aqui se teve a sensação de estar evoluindo de nível e ganhando baús de tesouro ou vai continuar acumulando o peso da estagnação.

Bem interessante! Vou tentar também! Vlw 👌